Heavy Metal 10 Bandas para neófitos famintos

Após entrar de cabeça no mundo do Heavy Metal, a não ser que você tenha muito tempo disponível e/ou faça atividades que possam ser conciliadas com a música, fica difícil de conhecer a maioria das bandas clássicas a curto e médio prazo, e por consequência, ainda mais as obscuras.

Conhecer bandas e/ou discos pontuais vão dizer muito a respeito do estímulo que um neófito no universo do Heavy Metal vai ser exposto, e isso poderá influenciar intimamente na relação que o mesmo terá com esse tipo de música posteriormente, se será apenas uma fase, ou uma relação honesta que irá durar uma vida inteira.

Fala-se muito que uma banda de rock pesado que faça sucesso, mesmo tendo qualidade duvidosa, é importante para angariar futuros fãs de Heavy. Porém, se esse futuro fã não for exposto a um “produto” de qualidade logo no começo, se não rolar o sentimento, o “feeling” certeiro, serão grandes as chances do “espírito” do Heavy Metal não ser verdadeiramente assimilado.

Conhecer bandas clássicas é mais do que fundamental, mas não se pode menosprezar as bandas médias e/ou obscuras, e como essa é área do H2R, apresentamos a seguir as 10 bandas para neófitos famintos!

Polêmicas e situações controversas podem ser uma faca de dois gumes… E foi exatamente isso que aconteceu com a lendária banda Bitch.

Seus shows com apresentações sadomasoquistas e outras polêmicas chamaram muita atenção para a banda nos anos 80, mas por outro lado, sempre tiraram o foco da sua música.

Foram apenas 3 discos oficiais, 2 EPs, e um punhado de músicas soltas em coletâneas diversas. Mais do que suficiente para tornar a banda “queridinha” daqueles que são ávidos por pérolas perdidas do Heavy Oitentista.

Deixando as polêmicas de lado, é fato que Betsy, uma fanática pelo rock (ela tem até uma tatuagem de Alice Cooper), deixou um legado incrível na sua curta trajetória.  “Be My Slave” é um dos melhores lançamentos de 1983, e ainda hoje soa vigoroso, com uma energia poucas vezes vista.

O nome da banda também dificulta muito, então se quiserem buscar mais informações sobre a mesma, procurem no google por “Bitch Betsy Weiss”.

Como curiosidade, Betsy segue tocando até hoje, com vários projetos, e inclusive resistiu ao teste do tempo estando em ótima forma…I want you, to be my slave!

Uma das bandas mais cultuadas da NWOBHM, esses caras pegaram uma das melhores facetas do Black Sabbath com Ozzy e gravaram dois discos sensacionais.

Frequentemente listados como uma das melhores e pioneiras bandas de Doom Metal, talvez o que ainda chame mais atenção para a banda nos dias de hoje seja as capas dos seus dois clássicos discos. Death Penalty e Friends Of Hell são praticamente iguais, tamanha a semelhança entre as músicas.

Em 2008 eles lançaram um disco novo com outra formação, porém não há qualquer perspectiva positiva em relação ao futuro, o que é uma pena.

No site oficial da banda você vai encontrar uma longa e reveladora entrevista com o guitarrista Phil Cope, simplesmente imperdível para os fãs do Witchfinder General!

Seguindo um pouco a linha do Queensrÿche mas com personalidade própria, o Crimson Glory lançou dois dos maiores clássicos do Heavy Metal Oitentista. Acho um absurdo quando vejo aquelas listas dos melhores vocalistas e não encontro Midnight, falecido em 2009 em decorrência de problemas com o álcool.

O terceiro disco gravado com o soberbo vocalista é irregular, e o quarto e último, gravado com Wade Black nos vocais em 99 é excelente, uma volta que honrou todo o legado da banda.

Apesar de terem feito muito sucesso no fim dos anos 80, a banda segue esquecida nos dias de hoje, todavia, é fato que dificilmente alguma banda nova conseguirá lançar um disco do quilate de “Transcendence”, ou mesmo se irá aparecer algum vocalista tão fantástico quanto foi John Patrick Jr. McDonald.

E para os fãs do Crimson, eu recomendo correrem atrás do material solo de Midnight…Emocionante!

Com mais de trinta anos e uma longa discografia, é incrível como o “Iron Maiden Russo” ainda permaneça bem desconhecido no Brasil, apesar de ser o maior nome no seu país (inclusive, muita gente por aqui conheceu a banda através de um cover do Manowar). Talvez o fato de nunca terem gravado uma música em inglês tenha sido um grande obstáculo para a expansão de sua popularidade, mas não para os desbravadores de sons obscuros, que é o caso dos leitores do H2R!

A língua, aliás, não é uma barreira para a empatia, visto que eu não conheço um único fã de Heavy Metal Tradicional que não tenha se apaixonado pela banda e os belos vocais de Valery Kipelov após escutar o clássico “Hero of Asphalt”, de 1987. No geral, todos os discos da banda seguem a linha tradicional, e mantém um padrão de qualidade altíssimo.

Para os mais fanáticos, vale a pena correr atrás do material da chamada “família Aria”.

O Harppia não foi escolhido por acaso. Ainda hoje são o exemplo máximo de como o Heavy Metal pode ser cantado em português, e executado de forma bem feita.

A banda lançou apenas 2 discos e um EP, sendo o EP “A ferro e fogo” na minha opinião um dos melhores EPs da história do Heavy Metal.

Atualmente, o baterista Tibério Luthier tenta manter o legado da banda com uma nova formação, mas a meu ver, sem Jack Santiago nos vocais não há motivos para um novo disco do Harppia (opinião pessoal).

Recentemente, Percy Weiss (que gravou o ótimo disco SETE) veio a falecer em um acidente automobilístico, e é a ele quem eu dedico essa matéria. Essa matéria inteira é dedicada a memória de Percy Weiss, mas como sou daqueles que acham que também devemos homenagear as pessoas enquanto elas estão vivas, também dedico essa matéria ao vocalista Jack Santiago, grande fã de Heavy Metal e que teve participação crucial no clássico “A ferro e fogo”, ainda hoje um dos meus plays favoritos.

A melhor e mais importante banda de rock pesado com vocais femininos da história. Sem comparações.  Talvez a melhor coisa que tenha acontecido com o Warlock foi à banda ter acabado, quando Doro perdeu os direitos do nome nos tribunais para um antigo empresário, e teve que seguir carreira solo adotando o óbvio nome artístico “Doro”.

Digo melhor, porque com isso o impecável legado do Warlock foi preservado, visto que ao longo de sua vasta discografia, Doro alternou bons e mals momentos.

Dos quatro discos lançados pelo Warlock, eu coloco pelo menos três no mesmo patamar de qualidade dos clássicos de Judas, Maiden e Cia. Doro não estava para brincadeira, e definitivamente não era apenas um rostinho bonito.

Apesar de tecnicamente a banda nunca ter feito shows no Brasil, a rainha do Heavy Metal é bem familiarizada com o nosso país, e nos seus shows não faltam clássicos do Warlock.

Ainda hoje fico arrepiado quando assisto pela milésima vez a performance no clássico Live In London (não o link mequetrefe do youtube, e sim o DVD com qualidade decente, facilmente baixado por torrent).

Capitaneado pela lenda viva Mark Shelton, o Manilla Road é uma das mais importantes bandas da cena “cult” do Heavy Metal. Para seus fãs apaixonados, eles não devem nada para Irons, Priests e Accepts da vida. Alguns discos lançados por eles mostram bem que isso não é exagero.

Com uma longa discografia, o que faz o Manilla ser uma banda única é o fato de fazerem grandes épicos com características tão inconfundíveis: As passagens acústicas, as músicas psicodélicas e lisérgicas, além do Heavy Metal Tradicional direto e apaixonante, com o timbre de guitarra inconfundível de Mark Shelton.

Confira vários clássicos do Manilla abaixo:

http://whiplash.net/materias/biografias/206142-manillaroad.html

Mesmo não sendo Heavy propriamente dito, estão aqui simplesmente porque influenciaram a porra toda. Ponto.

Considerado o “primo pobre” do Led Zeppelin,  é fato que se individualmente o Budgie não tinha músicos tão brilhantes quanto o Led,  em termos de discografia eles não devem em nada ao seu “primo rico”, muito pelo contrário (entendedores entenderão).

Entre 71 e 75 lançaram 5 discos brilhantes, em 82 lançaram o seu décimo álbum, e em 2006 lançaram o último, encerrando o ciclo de forma bastante digna.  Não há qualquer perspectiva na volta do Budgie, visto que seu líder quase setentão Burke Shelley não consegue mais cantar e tocar baixo ao mesmo tempo, devido a problemas de saúde, o que é realmente lastimável, principalmente por sabermos que nunca veremos essa banda lendária no Brasil.

Não vou entrar no mérito dos covers de Metallica e mais recentemente do Megadeth, porque esse assunto é sempre colocado em destaque quando falamos do Budgie, quando na verdade, o que é para ser realmente colocado em destaque são os clássicos, como “Nude Disintegrating Parachutist Woman”, “Napoleon Bona-Part”, “Young Is a World”, e tantos outros.

E se você não conhece o Budgie… Shame on you, garotinho (a) juvenil!

Eu tinha que colocar alguma banda da nova geração, e não pensei duas vezes antes de escolher esses caras.

Escutei muitas bandas da chamada “Nova onda do Metal Tradicional”, e também vi algumas dessas bandas ao vivo, mas ninguém me chamou tanta atenção quanto o Enforcer, tanto nos discos de estúdio quanto ao vivo.

Eles não colocaram nada de original no seu som, mas antes uma banda fazendo um som “datado”, do que uma “inovando por inovar” e fazendo um som horroroso.

As vezes fico pensando…Se um Judas ou Iron da vida tivessem gravado um clássico disco nunca lançado nos anos 80, que fosse descoberto nos dias de hoje e lançado por uma banda desconhecida, ele não teria o seu devido valor? Ele seria julgado não por sua qualidade, e sim pela “originalidade” do som? Isso não é insano?

Digo isso porque certa vez me deparei com uma resenha tosca sobre um disco do Enforcer cujo o infeliz autor dava uma nota mínima simplesmente pelo fato da banda fazer um som que é basicamente uma cópia do que vem sendo feito a 3 décadas…Triste!

E a banda mais louca desse TOP 10 acabou ficando por último! O Virgin Steele é a típica banda que costuma revirar o cérebro do (a) pobre Headbanger que acaba de tomar conhecimento do seu som. Eles já passaram por vários estilos, mas sem perder sua identidade: Heavy Tradicional, Progressivo, Hard Rock Farofa,  Metal Épíco, Power Melódico…O som do Virgin Steele não é fácil de se definir, tem que escutar a discografia inteira e também não é um som fácil de ser assimilado, mas ainda assim é intenso e apaixonante.

Não são considerados “A banda mais injustiçada da história do Heavy Metal” à toa. Difícil ficar indiferente a essa banda, é o lance do “Ame ou odeie”. Mas para quem vai escutando os discos e assimilando as particularidades de DeFeis, é muito difícil não se deixar envolver por toda a fascinante musicalidade do Virgin Steele.

Para quem não conhece a banda, eu recomendo começar pelo segundo disco: “Guardians Of The Flame”, e depois você vai escutando a discografia na ordem cronológica, essa é a melhor maneira de apreciar toda a riqueza de detalhes na soberba discografia do Virgin Steele.

Como disse uma amiga minha recém-apresentada a banda através do Guardians Of The Flame: “Pqp, eu me sinto poderosa quando escuto Virgin Steele” (uuuui,arrasou, bixa! kkk) Brincadeiras a parte…Esse é o espírito!

Bônus:

Para aqueles que dizem que não vale a pena sair garimpando bandas antigas, porque em determinadas épocas a maioria fazia os mesmos sons, reciclando as bandas conhecidas, eu coloco em pauta dois discos para audição que são ótimos exemplos de que não é preciso fazer um som original para o mesmo ser um clássico… E sim, garimpar e DESENTERRAR é preciso, sempre!

*Considerações finais:

Escolher apenas 10 bandas foi algo muito complicado, então tentei fazer uma lista equilibrada, mesclando países diversos, algumas bandas consagradas com outras obscuras, bandas com discografias extensas e outras com poucos lançamentos, algumas altamente influentes, e outras que passaram quase que despercebidas. Também  tive o cuidado em citar alguma banda nova e também uma nacional…

Índices usados na matéria:

Popularidade: Curtidas no Facebook/Popularidade da banda no Brasil
Discografia: Quantidade de discos oficiais
Shows no Brasil: Quantidade de shows no Brasil

Não coloquei como índice a qualidade da banda porque isso não é fácil de mensurar, então a ordem das bandas acabou sendo em função desses índices, e não de um gosto pessoal.

No mais, espero ter atingido o objetivo ao término dessa matéria, que foi de tentar despertar um algo a mais em quem está começando a “se interar” desse maravilhoso estilo de música que tanto prezamos no H2R!

Por Victor Kataóka
H2R – Hard & Heavy Reviews

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