Budgie – Never Turn Your Back On A Friend (1973) [MCA Records]

Never Turn Your Back On A Friend é o título do terceiro e mais conhecido álbum do Budgie, banda de Hard Rock formada no País de Gales em 1968 por Burke Shelley (baixo, vocais), Tony Bourge (guitarra e vocais) e Ray Phillips (bateria),

Esse Power Trio é considerado por muitos como “o primo pobre” da trinca Sabbath-Purple-Zeppelin.

No meio underground, é notório um sentimento de ciúmes por parte de alguns fãs do Budgie para com o Led Zeppelin, pelo fato da banda galesa não ter feito 1% do sucesso da banda Inglesa, mesmo sendo notório que ambas as bandas tenham uma qualidade equivalente.

Espere um pouco, o leitor que não conhece o Budgie deve estar se perguntando agora: “Esse cara está dizendo que o Budgie é tão bom quanto o Led Zeppelin?”

Sim meus amigos e minhas amigas, e a maior prova disso está no disco que será resenhado a seguir!

“Never Turn Your Back On A Friend” é um dos discos obrigatórios da década de 70.

Aqui o Budgie passeou de forma marcante pelo Heavy Metal, Hard Rock e Rock Progressivo.

Ao longo da audição o leitor irá se deparar com longas, cruas e pesadas faixas, com passagens climáticas muitíssimo bem feitas e acompanhadas de interlúdios melódicos, fundamentados em um instrumental afiadíssimo.

A seguir, você verá o porque de “Never Turn Your Back On A Friend” não se limitar a ser considerado um dos melhores (se não o melhor) disco do Budgie, mas também um disco obrigatório da década de 70, e que colocou o Budgie no mesmo patamar de genialidade que o Zeppelin e outros grandes monstros do rock pesado.

Never Turn Your Back On A Friend é um disco tão fantástico, que a sua estrutura no que diz respeito à disposição das músicas beira a perfeição, afinal, esse disco trás uma das melhores músicas de abertura que um disco de rock pesado pode ter, e ao mesmo tempo, uma das melhores músicas de encerramento.

A música de abertura no caso é “Breadfan”, clássico dos clássicos imortal.

“Breadfan” tem um dos melhores riffs do rock pesado de hoje e de sempre. “Breadfan” tem uma das melhores entradas dos anos 70. “Breadfan” é Heavy Metal puro feito em 1973, e para alguns, é o primeiro registro do Thrash Metal (o que discordo).

Escute esse riff e fique indiferente a ele, eu o desafio.

Quando entram os vocais, a primeira coisa que veio na minha cabeça foi “isso sim é rock and roll, o verdadeiro rock and roll, se a palavra atitude tivesse uma sonoridade uniforme, com certeza ela seria “Breadfan”.

Ao escutar essa música, é como se eu tomasse um energético, não consigo ficar parado, se colocar quatro putas na minha frente, eu como todas…E sem cuspe! Haha.

Como se não bastasse, “Breadfan” é tão perfeita, que no meio da música, o ouvinte é presenteado com uma fabulosa passagem acústica de um minuto e meio, que tem um baixo fodástico, criando uma grande atmosfera, e que lembra bem as baladas do disco anterior, resumindo, a cara do Budgie! Aquele instrumental, sereno, bonito, e em certos momentos sombrio. Mas, então volta o peso e “a merda já está feita”.

Essa música é um arregaço, do começo ao fim.

Digo e repito: Ninguém fica indiferente a “Breadfan”, quem escuta não esquece. E o que veio depois foi cópia.

Sempre me espanto quando lembro que essa música foi feita em 1973.

Para vocês verem como “Breadfan” é tão pesada, e o budgie estava tão a frente do seu tempo, basta lembrar que a versão do Metallica, feita 13 anos depois, ainda não consegue ser tão Heavy e matadora quanto a do Budgie, feita no ano que o Heavy Metal ainda estava aprendendo a andar.

Ao final da audição, o espanto: Se passaram 6 minutos, mas a impressão é que foram 2 ou 3…

E para quem não consegue entender o sentido da letra, fica a dica: “Breadfan” significa louco por dinheiro.

“Baby Please Don’t Go” é uma das músicas mais coverizadas da história, e o Budgie não podia ficar de fora dessa. Sem dúvidas uma das melhores versões que eu já ouvi, diria até que ela ficou no mesmo nível da versão do AC/DC (que por sinal é mais nova que a do Budgie), e olha que eu sou o maior fã do AC/DC no mundo inteiro!

Alguns pequenos detalhes fazem toda a diferença, e os gritos abafados no começo da música fizeram essa diferença, até porque esses gritos debochados realmente são o toque de irreverência e criatividade do Budgie.

Adoro escutar o baixo chapado sendo acompanhado pelo solo, não tem como não se empolgar com essa música.

A versão do Budgie ficou extremamente groovy, e inclusive, eu diria que o baixo aqui foi determinante no andamento desse cover fenomenal.

A suave “You Know I’ll Always Love” mostra bem como na maioria das vezes Burke Shelley acaba se saindo melhor nas baladas.

Bonita, feita para as rádios. Tinha potencial.

Mesmo com o título, e sendo curta, a letra não é clichê, muito pelo contrário. Poderia ter sido um interlúdio em uma faixa pesada, mas acabou tomando viva própria.

Depois da calmaria, entra outro clássico na seqüência: “You’re the Biggest Thing Since Powdered Milk”. Vejam que título bizarro.

Aqui vemos mais uma faceta do Budgie:

O lado bem humorado.

Afinal de contas, qual banda faria uma música “romântica”, onde um rapaz se declara a sua amada dizendo que ela é a maior coisa pra ele desde…Leite em pó?

Essa música é o primeiro épico do disco. A primeira parte é um solo de bateria muito interessante, sua primeira metade lembra várias músicas dos dois primeiros álbuns, e do meio pro fim ela ganha um grande andamento, bem mais firme e pesado. “You’re the Biggest Thing Since Powdered Milk” tem grandes partes progressivas, mas nos momentos que entram os vocais, especialmente no segundo, ela se mostra um hardão de primeira, essa levada é muito foda. Talvez o instrumental não devesse ter sido tão esticado, mas uma grande música sem dúvidas, um clássico.

Aqui, os vocais têm momentos de Ian Gillan e Robert Plant, enquanto as linhas de baixo contribuem bastante para a sua levada hipnótica que é apresentada a partir dos 5 minutos.

Música bastante sofisticada e bem elaborada, mais um clássico da banda, e para muitos, uma música que adiantou uma estrutura que seria aperfeiçoada por bandas como Iron Maiden e Cia.

Para muitos, “In the Grip of a Tyrefitter’s Hand” é um clássico, e uma música que apresenta 2 acordes que foram bem pioneiros.

Particularmente, eu sempre achei um exagero qualificar essa música como clássica, apesar dela ser muito boa, e ser consenso geral que é uma das melhores músicas do Budgie para se escutar depois de fumar um baseado.

“In the Grip of a Tyrefitter’s Hand” parece ter vindo direto do Vol 4 do Black Sabbath.

Ela tem uma levada progressiva, como várias outras do Budgie, é pesadona e arrastada, mas no geral, não tem nada de mais, nada de especial que outras músicas na linha dela não tenham.

O que eu acho que a banda deveria ter feito era ter diminuído o tempo dela.

Se você prestar atenção, os 2 minutos iniciais, por exemplo, são muito esticados.

Acredito que se ela tivesse sido picotada em 4 minutos ficaria perfeita, pois é o tipo de faixa, que se você não escutar com atenção, pode se tornar maçante.

Mas como eu já disse, acompanhada de um bom baseado, ela se torna a melhor música do mundo.

Enfim, mais uma faixa progressiva da banda, e nesse caso, pesada e arrastada, com o baixo ditando o ritmo, e um final excelente.

Apesar do instrumental se sobressair, a letra é relativamente grande, e quase não apresenta versos repetidos.

Para quem não entendeu a letra, que fala sobre algum clima de tensão envolvendo um borracheiro (!), saiba que é exatamente isso, veja mais informações sobre o sentido da letra nas curiosidades.

“Riding My Nightmare” se parece com várias outras baladas do Budgie, o que é ótimo.

Uma das baladas da banda que seguem uma linha folk, e vejam só, até agora já fomos presenteados com Rock, Hard,Heavy,Prog, e agora um pouco de folk.

O Acorde inicial é semelhante a “Feebird”, e os vocais de Burke Sherlley são muito bonitos.

Apesar de ser uma música doce e delicada, a sua letra é meia sinistra…Ponto para o Budgie.

Para fechar o disco com chave de ouro, uma das obras primas do Budgie.

Com seus mais de 10 minutos, a épica “Parents” é um dos grandes clássicos da banda, mas eu diria que também é um grande clássico da década de 70, e porque não, da história da música?

Essa balada, que com o passar dos anos se convencionou a ser classificada de “Power Ballad”, é um dos exemplos da genialidade da banda Galesa, que a deixam no patamar de Led, Purple, Floyd, Crimson e Cia.

A letra, uma das melhores composições da banda, fala sobre a relação pais-filhos, transição de idade e reflexão sobre a vida.

A estrutura de “Parents” é bem interessante, pois vai desde o prog, passando por texturas jazzísticas (vejam o solo, por exemplo) e tendo o peso do Heavy bem acentuado.

Vale salientar que mesmo ela sendo um épico de 10 minutos que não muda radicalmente, “Parents” não se torna maçante. Aqui as viradas da batera soam mais intensas do que em qualquer música pesada.

Extremamente melancólica e classuda, “Parents” é belíssima em todos os aspectos.

E como o Budgie é uma banda bem perfeccionista, aqui, os detalhes do barulho do mar batendo nas pedras, e da guitarra de Tony Bourge imitando gaivotas, tudo isso serve pra deixar a atmosfera dessa música ainda mais arrebatadora.

As linhas de baixo são cativantes, a bateria consegue dar o peso que a música pede, e Burke Shelley, que filho da puta, ainda consegue tocar essas linhas de baixo cantando de forma extremamente serena.

Finalizando com um Hard Prog em alto estilo, chegamos a fácil conclusão que  Never Turn Your Back On A Friend é um álbum riquíssimo, uma das grandes pérolas dos anos 70.

Eu poderia resumir esse álbum em uma frase:

Parece uma coletânea Best Of!


Imagens:


Lista de Músicas:

01. Breadfan 10***
02. Baby Please Don’t Go 10**
03. You Know I’ll Always Love You  9,0
04. You’re the Biggest Thing Since Powdered Milk 10*
05. In the Grip of a Tyrefitter’s Hand 8,0
06. Riding My Nightmare 8,75
07. Parents 10***


Tempo total: 41:49


Escute as Músicas


Nota:
9,5
Estrelas: 9
Nota Re-Avaliada: 10**********


Formação:

Burke Shelley – Vocal Baixo
Tony Bourge – Guitarra
Ray Phillips – Bateria

Vídeos:


Fatos e Curiosidades:

- Após o lançamento de Never Turn Your Back On A Friend, desentendimentos internos culminaram com a saída de Ray, entrando em seu lugar Pete Boot, porém o estilo da banda permaneceu praticamente o mesmo, já que Ray e Pete tinham estilos bem semelhantes.

- Tirando o cover “Baby Please Don’t Go “,de Big Joe Williams, todas as outras músicas foram escritas por B. Shelley, T. Bourge e R. Phillips.

- A arte da capa ficou novamente a cargo de Roger Dean, enquanto a produção ficou a cargo da banda, e o álbum foi gravado no estúdio Rockfield Studios, no País de Gales.

- “Breadfan” foi coverizada pelo Metallica em 1988

- Em 1999 o Red Hot Chili Peppers plagiou “Breadfan” lançando a música “Around the World”

- O que muitas pessoas talvez não saibam, é que na verdade Budgie é uma gíria usada no País de Gales para descrever uma “namorada”, mas, nos estados unidos é um nome muito usado em pássaros, o equivalente a “lôro” no Brasil, daí as capas terem todas o pássaro como protagonista principal.

- Remastereizado e Re-lançado em 2004 com 3 faixas bônus:

1. “Breadfan (gravado em 2003, por Burke Shelley, Steve Williams e Simon Lees em um studio móvel durante uma turnê)”
2. “Parents (2004 Acoustic Version, por Burke Shelley e Tony Bourge )”
3. “Breadfan (Live 1973)”

- O CD ainda contém o video de “Breadfan”, gravado no The Old Grey Whisltle, em 1973( Burke Shelley, Tony Bourge, Ray Phillips).

- “In the Grip of a Tyrefitter’s Hand” foi escrita após um fato curioso ter acontecido com a banda em Bridgend, Gales, quando eles iam tocar e a van de Phillips furou o pneu, e ao levar o carro para o conserto, o borracheiro cobrou uma fortuna para a banda, ameaçando não consertar o carro caso eles recusassem a pagar tão caro, o que traria uma conseqüência: o Budgie perderia o show.


Creditos:
Por
Victor Kataóka.

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  1. Charity Singh May 28, 2010 6:44 pm 

    You have done it again! Incredible read!

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